27 de setembro de 2014

LUGAR DE BARCOS, DE JOÃO BATISTA REZENDE



Nei Duclós

Alguns dados dizem pouco do oculto poeta João Batista Rezende (na foto, com seu livro). É gaúcho de Restinga Seca, que pertencia a Santa Maria, nasceu em 1956 e mora em Garopaba, SC, há 30 anos. Participou da antologia Teia 2, nos anos 70, de Porto Alegre, livro que também conta com alguns poemas meus. Mas o importante é que ele lançou em maio de 2013 o excelente LUGAR DE BARCOS, editado pela Maré – Movimento Açoriano de Resgate, com ilustrações de um artista local, Licínio e com muitas invenções poéticas, apresentadas de maneira graficamente diversa e que contém alta voltagem de poesia, o que é raro em qualquer época e em qualquer país. Bom demais, Rezende detona com seu livro de 70 páginas.

Selecionei alguns trechos de poemas, para mostrar a dimensão da sua criação primorosa.

“O meu jogo de xadrez com o tempo
É o mar batendo na pedra
e a flor com raiz na espera
ciente, vou perder
mas perco limpo

*

A poesia morre quando o olhar vicia na mesmice
Mesmo que tudo seja belo e se torne familiar
Poetizar seria só mente olhar

*

Se eu bato a porta do meu ver
não hei de ver o mar que me adotou

 *

Entre um olhar e outro
ela me acertou em seio

 *

Desde o instante em que a lua provocou o lobo
a selva deixou de ser apenas sobrevivência

*

Sim sou poeta
e ainda tem gente
que quer que eu escreva “

(João Batista Rezende)

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