24 de junho de 2017

RAMO



Nei Duclós

Não tenho o que dizer
digo num poema
Luz do amanhecer
varre o céu de estrelas

As frutas do pomar
colhidas só na véspera
Esqueces sobre a mesa
o ramo de açucenas

É hora de voltar
abri as mil janelas
A flor do teu olhar
plantei em frente delas


23 de junho de 2017

VOEI POR TEIMOSIA



Nei Duclós

Voei por teimosia
Já que ao chão pertenço
Não foi obra da magia
Só de razão sou feito

Aprendi que não é a pluma
que faz flutuar a vida
Asas não são o impulso
que rasga a cortina

O mistério é mais profundo
Tem a ver com a sina
Há princípios obscuros
Técnicas de outros mundos

Desse caldo de cultura
tiro bom proveito
Exerço dons de um novo jeito
de navegar nas nuvens

Estás aéreo, me dizem
quem sonha demais perde o prumo

Essa é a meta, dispensar o chumbo
Encontrar pela palavra algo mais puro


HEROÍSMO



Nei Duclós

Não importa o poema
O que a palavra manipula
Nem mesmo a vida
que tão escassa nos condena
Mas sim a paz do olhar sobre a tormenta
precária voz que se debate entre as dunas

Repetir não é o crime desta escuta
Pois procurar é retribuir ao conhecido
a segurança de Teseu no labirinto

Nao é um truque o amor de quem aprova
o heroísmo pelo fio de uma promessa
de que a luta contra a criatura
será coberta sob a graça da aventura


21 de junho de 2017

MINHA ANTOLOGIA POÉTICA



Nei Duclós

Lanço em PDF minha antologia poética. Entre livros impressos e ebooks, publicados de 1976 a 2016, muitos poemas permanecem na memória de quem ama a poesia. Desses, selecionamos os mais significativos e queridos, para disseminar o canto de toda uma vida dedicada às palavras

NAUS SEM VOLTA DO MEU CANTO é uma seleta de poemas publicados em Outubro (1976), No meio da Rua (1979), No Mar Veremos (2001), Partimos de Manhã (2012), Arraso Poemas de Amor (2012), Cálida Palavra (2014), Trovador (2014), Semeador (2015), Passo O Que Fica (2016).

A edição esta caprichada. Com programação visual de Juliana Duclós, o livro está dividido em quatro capítulos: Poemas Marinhos, Amor Em Arte, Tempo Afora e Terra De Rios. O título é tirado de um verso de Apesar de Tudo, que está no livro Outubro: Levanto com esforço as âncoras e parto nas naus sem volta do meu canto.

NAUS SEM VOLTA DO MEU CANTO
Uma antologia
Nei Duclós, poemas
Edição do Autor, 2017 em PDF
Preço: a escolher, de R$ 10 a R$ 30
Escreva para neiduclos@gmail.com

JOGUEI UMA LEMBRANÇA


Nei Duclós


Éramos moços e o mundo estava certo
Isso foi antes do alcance da treva
Calçadas de diamantes, ruas de esmeraldas
E o sol que inaugurava as manhãs de inverno

Casacos de lã tecidos com cuidado
por mães ainda na ativa, mãos de madrepérola
E gorro até os joelhos, grossos sapatos
que duravam até o osso por serem eternos

Saíamos da aula em direção à praça
num alarido que mais parecia um sonho
O encontro era com as moças tocadas pela graça
De todas a mais bela ocupava o trono

Joguei uma lembrança para dentro da janela
Era um recado tímido do amor que mal começa
Mas para sempre fica na idade que nos cerca


ROSTO SOBERANO



Nei Duclós


Poderia cercar-te de armadilhas,
mas te perderia.
Por isso sumi de vista
e quando me dei conta
estavas ao meu lado, em silêncio

Aprendi a desarmar o espírito
a calar-me nas investidas
permanecer quando há conflito
avançar se houver consentimento

Habituei-me a rituais de equívocos
mas me ensinas a ser de outro nível
beleza é a sabedoria
atração é apenas sentimento

Desatei os nós, musa distante
sonho quando te aproximas
vivo desse tesouro oculto
tua alma de rosto soberano


 RETORNO - Imagem: Greta Garbo em Rainha Cristina.