15 de março de 2019

TABELINHA


Nei Duclós

Quando o Brasil se entende
bate um bolão
Quando as mentes regem a ação
E o talento escreve o passe solidário
O lance profetizado pelo domínio da arte

Ele avança na área
E vai com tudo para a linha de fundo
E lá quando a bola é dada como perdida
Cruza o passe genial em diagonal
que encontra o atacante frente ao gol

O ritmo do entendimento é uma dança
Coreografia que cruza o tempo
E chega até nós como um herói que parte
E nos deixa de presente
o coração



RETORNO - Foto postadapela ASSOPHIS - Associação dos Pesquisadores e Historiadores do Santos FC

PERGUNTAS


Nei Duclós

Por que querem tanto o poder
Se vão morrer?

Por que querem tanto subir
Se vão cair?

Por que preferem matar
Em vez de amar?

Por que esquecem do sim?


11 de março de 2019

PRESENÇA DO POEMA


Nei Duclós

A sóbria presença do poema
Nenhuma sombra a lhe ferir o esquema
Moldura de um aço de teimosa têmpera
que impulsiona navios afogados no peito

Perfil de sonoridade extrema
A que não se escuta mas que no tempo vence

APÓS

Nei Duclós

Só no fim da palavra acaba o mundo

Antes - terra gente cidade
não havia eternidade

Só a palavra é perigosa
Capaz de sobreviver ao incriado

É a voz
que faz a aurora

FUGA DA LUZ


Nei Duclós

Havia uma revoada de amor ainda agorinha.
Que fim deram aquelas asas?
Atraídas talvez pela viagem do sol
em direção ao abismo, a fuga da luz
caindo para escapar do tua imagem
oculta pelo escuro


SEM INOCÊNCIA


Nei Duclós

Tentei na hora errada
escapar do meu destino
Reescrever o que estava firme
Abrir sem base um caminho

Voltei ao que penso ser a origem
Da palavra sem desacerto
Inocência do verbo quando era moço
o olhar ainda sem acordos

Serviu a lição, parei no tempo
Hoje me procuram mas sou só um esboço
Risco na areia para que o mar leia
E ninguém mais, muito menos eu mesmo