22 de julho de 2018

LUIZ MARTINS BASTOS: LINHAGENS DO PAMPA


Nei Duclós

O livro de Renato Dalto “Luiz Martins Bastos, o criador símbolo da raça crioula” mostra com detalhes o trabalho desenvolvido por um homem e sua linhagem, familiar e profissional, a partir de seu reduto histórico e patrimonial, a Estância Nazareth de Uruguaiana. Médico formado que exerceu a profissão por 25 anos, decidiu no meio da sua jornada de mais de nove décadas, dedicar-se aos cavalos típicos da sua região, que abrange não só a parte brasileira, mas também a da Argentina e do Uruguai, além da participação do Chile, outro país protagonista da narrativa.

Herdeiro de uma família com fortes raízes portuguesas, Luiz Martins Bastos tornou-se o patriarca que soube temperar a experiência com a ousadia, a prudência com a curiosidade, a realidade com o sonho. O livro esmiúça essa trajetória com farto material recolhido dos arquivos pessoais, dos depoimentos valiosos de colegas, familiares e admiradores, da pesquisa na imprensa, entre outras fontes. Praticamente abre a porteira de uma atividade que, apesar de muito conhecida superficialmente, e celebrada pelo seu sucesso secular – são as estâncias que definiram o perfil da economia e da geografia daquelas plagas - mantém encerrados alguns de seus preciosos segredos.

Só quem é do ramo sabe como se comporta um criador que começa com alguns espécimes tradicionais do cavalo crioulo e aos poucos procura resolver problemas da formação e estrutura, buscando sempre mais resistência, leveza, velocidade nos campeões que se sucederam nas exposições e feiras de Esteio, Palermo etc. E não contente com isso, como se diz na fronteira, deu o passo pioneiro e mais arriscado, o de procurar nos cavalos chilenos o que faltava aos crioulos dos redutos domésticos.




Longe de ser apenas uma exaltação aos feitos de um bem sucedido criador, o livro tem essa qualidade de expor o que fica oculto aos leigos, que assim pode incursionar nos meandros de uma atividade onde entra o conhecimento, o estudo e a confiança de que o rumo está certo e dará bons frutos.

Ao levantar as raízes e origens da família, que faz parte de uma vasta rede de pioneiros e empreendedores, o autor traz um pouco à luz o mundo submerso da formação da fronteira. Pois é complexa a trama que desaguou num trabalho coletivo que moldou o perfil da fronteira. Não se trata apenas de divisão de terras, mas de trabalho exaustivo principalmente de gestão, quando não havia tanto conhecimento sobre o assunto e foi preciso gerar um acervo de procedimentos a partir do trato diário com terra, gente, animais, meio ambiente.

O Dr. Luiz contou neste lançamento com o talento e a experiência do autor, um especialista no assunto, como também da coordenação geral de Estela Facchin e do apoio da Associação Brasileira dos Criadores de Cavalos Crioulos. A capa, primorosa, é de Esteban Dias Mathé e as páginas internas do livro de luxo, feito com rigor e competência, conta com algumas ilustrações do artista Berega, além de fotos antigas e contemporâneas, documentos, cartas etc.

O grande incentivar do lançamento é Carlos Alberto Martins Bastos, um dos filhos do Dr. Luiz, que é o Cabeto, meu amigo de infância, muito admirado por sua inteligência, cultura e cavalheirismo.



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