1 de julho de 2018

A QUEDA, EM MAD MEN

Nei Duclós


A abertura visual, com os créditos, da série Mad Men incorpora a mesma sequência de imagens do início de Vertigo, de Hitchcock. É a queda, a derrocada, o mergulho sobre o abismo.

O gênio da criação publicitária, ao atingir o topo do sucesso, perde familia, amores, carreira, clientes. Os executivos rodam sucessivamente para baixo enquanto as agências os enganam com falsas promoções. "Mais um cargo desses e vamos atender telefones", diz um deles.

Os clientes também experimentam a derrocada. Mudanças radicais dos anos 60 deixam desarvorada a velha geração, que vê seus herdeiros perderem o que foi acumulado.

Tudo se dirige para o ralo. O sucesso leva ao fracasso. Cada fase da queda é pontuada por filmes famosos, desde It's a wonderfull life, de Capra, a Godzilla, dos filmes românticos aos documentários políticos, do filme noir aos dramas familiares.

Uma narrativa primorosa, uma obra prima. Sem tiros, nem perseguição de automóveis, com detalhes sutis desmascarando os comportamentos e diálogos brilhantes e precisos, sem pretensão nem artificialismo.



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