Blog de Nei Duclós. Jornalismo. Poesia. Literatura. Televisão. Cinema. Crítica. Livros. Cultura. Política. Esportes. História.
26 de agosto de 2026
CONTAINER
Nei Duclós
Cada vez mais me vejo como um corpo estranho
Enquanto o mundo segue sem meu tamanho
Abandonado como um container
De uma estrada no subúrbio
Os carros passam elétricos sem motorista
Sou uma ausência de algoritmo
O que digo ninguém digita
Não respondo quem me pesquisa
Criatura feita de ferro vencido
Fico junto às plantas ralas
Roçado sem nenhum fruto
Alvo de tornados e granizo
O destino é enferrujar as juntas
Que ringem nas salas de espera
Para mais um exame de vista
Não me enxergo no espelho do teto
Pertenço a outro universo
O que estava aqui e mudou de rumo
Permaneço como teimosa fera
Existo porque sou do ramo
Nei Duclós
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário