26 de agosto de 2026

CONTAINER

Nei Duclós Cada vez mais me vejo como um corpo estranho Enquanto o mundo segue sem meu tamanho Abandonado como um container De uma estrada no subúrbio Os carros passam elétricos sem motorista Sou uma ausência de algoritmo O que digo ninguém digita Não respondo quem me pesquisa Criatura feita de ferro vencido Fico junto às plantas ralas Roçado sem nenhum fruto Alvo de tornados e granizo O destino é enferrujar as juntas Que ringem nas salas de espera Para mais um exame de vista Não me enxergo no espelho do teto Pertenço a outro universo O que estava aqui e mudou de rumo Permaneço como teimosa fera Existo porque sou do ramo Nei Duclós

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