10 de junho de 2011

CASABLANCA


Nei Duclós

Só o amor resgata tua essência
dispersa no exílio deste bar.
Só um rosto é capaz da violência
de mudar teus hábitos, e despertar

Paris invadida pelo som de um anjo.
No piano, o passaporte para o dia
submerso no ódio e a morte lenta.
Ela voltou para devolver a vida.

Os tiros não importam: a gabardine
é sempre intacta sob a chuva
Mas recompor-se é uma dor marítima

que afoga também a última chance.
O blefe final é tua vingança
da vida que o amor torna impossível

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