16 de janeiro de 2017

SARAJEVO: A JUSTIÇA CONTRA A GUERRA



Nei Duclós  



Filme didático no Netflix, Sarajevo, de 2014, que contrapõe o álibi do império austríaco pela guerra ao esforço de investigação do promotor de origem judaica que descobre um complô no atentado contra o arquiduque herdeiro do trono e favorável à soberania da Servia. O investigador, interpretado por Florian Teichtmeister, tem uma aparência de Santos Dumond no bigode e no chapéu desabado. Anda de bicicleta perguntando os motivos de colocarem o príncipe e sua esposa de bandeja para o assassino sérvio, um dos dez financiados pelos algozes, que estavam postado no roteiro previamente divulgado nos jornais.

A inteligência militar estava por trás de tudo, para colocar a culpa na Servia, que nada tinha a ver com isso, e invadi-la, o que provocou a carnificina de 17 milhões de mortos na I Grande Guerra, envolvendo 40 países. A Servia soberana atrapalhava os negócios e a penetração ate Bagdá, uma rota que enriqueceria meia dúzia de maganos.

O filme narrado de maneira densa, protagonizado por um ator concentrado num personagem que descobre sua coragem ao permanecer fiel à lei, encontra na bela Melika Fourontan a janela para um futuro inviável, o amor e a família num tempo de mortandades. A chantagem cavernosa a que submetem o promotor, um homem solitário e dedicado ao seu ofício, está à altura dos interesses comerciais e políticos da potência imperial. O objetivo era saudar por uma Paris alemã.

O atentado, em Sarajevo, na Bósnia, se desdobra em dois momentos. No primeiro, o herdeiro escapa da bomba mas volta pelo mesmo roteiro e no segundo leva o tiro mortal ao lado da mulher que também se esvai em sangue. Por que? pergunta a Justiça. Porque sim, responde a guerra. O diretor é Andreas Prochaska e o roteirista Martin Ambrosch. Banho de cinema, com cenários sinistros, uniformes impositivos, semblantes ameaçadores, diálogos mortais.




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