20 de junho de 2023

ESTRELA GUIA

 Nei Duclós 

Perdi a chance porque mantive intacta

Minha teimosia feita de revanche

Não é lamento mas a inconstante

Mania de me colocar à parte


Prefiro, por motivos misteriosos

Passar ao largo do que o destino cobra 

A liberdade é um vício dos tratantes

Modo seguro de evitar vitórias 


Nem a metáfora mais radiante

O verso que coleciona joias 

Em poemas que somem no horizonte

E me deixa só na sanga e nas praias

Poderá mudar a decisão antiga


Desmaia em mim o som mais cativante

Desperto num tempo que desafia a sorte

Venha até meu ninho, estrela guia

Que a poesia insiste num galope

Trema meu peito, musa moça e fria

Mas não espere mais do que já tenho

Homem calado, sem identidade

Sou o folclore de um país datado


Nei Duclós

17 de junho de 2023

 Nei Duclós 


Não economizo poema

Para entregá-lo depois a prazo


Recolho a granel na rede de três panos

Embrulho do disperso verbo sem arrimo

Exponho como peixes pendurados pela rua

que pescadores pobres trocam por almoço 


No papel almaço onde ponho o pão 

Ponho o poema

Caderno pardo de improviso 

Que serve para forrar o chão 


Palavras que varrem o coração 


Nei Duclós

ARTE Y FUTURO

 Nei Duclós 


Que gran arquiteto es el viento 

Que esculpe puentes y monumentos

Y que artista hermosa es la lluvia

Con agua sagrada en el tiempo

A bordar las sierras de alturas

Que hoy cae en nuestra cabeza


Como creer que el acaso

Sea capaz de hacer eso? Olvidar los ancestrales gigantes

Obreros de tantas piramides?

Y reir de su sabedoria

Su fuerza en piernas y manos

Legado de humana conduta 

Dioses antediluvianos


Pero llaman de la naturaleza

La obra hecha de sangre 

Nosotros seremos lo mismo

Sepultados por hijos extranos?


O teremos la suerte de estatuas

Que sobreviven en distante futuro?

Seremos montanas

O el mar con la luna en sus cuestas?


Nei Duclós

16 de junho de 2023

CERCA DE TI

 Nei Duclós 


Quanto a mi si te equivocas

Es por um mal-entendido 

No quiero ser tu marido

Pero respeto tus  coplas


Solamente te admiro

Y mi deseo es el arte 

Yo soy un hombre de letras 

Y tu una melodia


Tu danza es la poesia

Mi guitarra un poema

Piel de la rosa morena

Rostro de mel y azucena


Asi nos pomos de acuerdo

El abrazo en tu cintura

El beso nuestra  cadena

El amor quando Dios quiera


Nei Duclós

VERTIGEM

 Nei Duclós 


É cedo demais, me falou o anjo

O sol ainda não teceu a aurora

A poesia dorme ao lado na tua cama

E o dia te reserva um doce estímulo 

O amor que você carrega e está escondido


O espírito é visto só na superficie

Engana os sentidos ocupados brutos

Enquanto medra em lugar profundo

O trigo cultivado num terreno antigo 


A manhã prepara em susto a epifania

Não o que esperas na óbvia planície

Mas na montanha onde algo habita

Deus concentrado em ventos e vertigem


Nei Duclós

PARTISANA

 Nei Duclós 


Yo quiero poner mis manos

Con amor de partisano

en la bela guerrillera


Luchamos en las montanas

Contra enemigos con ganas

Pero tenemos con fuerza

Todo lo que cultivamos

En tierras de nuestra Espana


Soy tu amor de primera

Terrible en la carretera

Mi sonoridad lorqueana

Metralla por la frontera


Somos el vino de sangre

El abrazo de esperanza

Nosotros los partisanos

Soldados de cuerpo y letra


Nei Duclós

VÉSPERA

 Nei Duclós 


Ficou nítido para mim o que estava misturado

Solar o que ficava oculto 

Presente o que se escondia

Próximo o que viajou para longe 


Temo que seja a espécie de melhora que antecede o desfecho

O ânimo na fase terminal da despedida

Tão necessário para os últimos retoques


Há ilusão de que voltamos no tempo

Já que as pernas obedecem e o olhar se ilumina

E a voz agora encontra o tom certo

Até arrisco uma canção inédita 

Que compus há tempos e pensei em jogar fora


Mas é apenas a vida que não te ignora

Quando tudo te abandona no apagar das luzes

É  para você se acostumar nesta véspera

A enxergar as estrelas na rua morta


Para lá vai teu coração cheio de gás 

Como a Lua Cheia retorna para a Nova


Nei Duclós

13 de junho de 2023

SILENCIO

Nei Duclós 


En la muerte hay silencio

Mismo que griten los muertos

En su destino sin suerte 

Silencio en su intestino

A trabajar limpiamente

Sin gotas de interferencia


Es un silencio de muerte 

De poesia de piedra

A decir es para siempre

Y no me grite o conteste

Que ella trae en su ventre

Luna venida de sombra


No se ve la pobre estrella

Moriendo en cielo supremo

Ella nunca esta pronta

Porque trabaja en silencio


Nei Duclós

10 de junho de 2023

FLAMENCA

 Nei Duclós 


Por estar muy lejos de ti

Linda lejana que en la ventana 

Me dice en poesia el olvido 

Que hay en el viento y en las ciudades de Espana 

Por estar lejana

Mucho mas te quiero patria mia 


Y no es solo la danza

Las guitarras Las voces y los vestidos

Y las manos que dan el ritmo a mi corazon despedazado en este exilio

No solo Madrid Sevilla o Andaluzia

O Granada donde Lorca lo mataran

Tanpoco el mar, Barcelona o la cordillera de Montserrat

Pero si las palavras de mi nido tierra mia

Cerca de los abuelos en las guerras y la miseria


Por eso te canto amor de la Iberia 

Para que vengas a mi por todos los siglos 

Mujer lejana 

Patria que no muere ni me abandona


Nei Duclós

6 de junho de 2023

ESCULTURA

 Nei Duclós 


Parece fácil com a obra pronta

Depois do suor de árduas horas

Em que o talento consegue a síntese 

Da sofisticação e simplicidade

E aguarda o reconhecimento 

Que só os deuses são capazes

Porque os humanos acham mole

E não se assombram como deveriam

Desprezando a relíquia mais sagrada


O ourives conhece esse destino

E por isso trabalha em liberdade 

Abraçado à criação, sua escultura


Nei Duclós

DISTÂNCIA

 Nei Duclós 


Amor que a distância mata

É como brasa dormida 

Que sem o fogo agoniza

No inverno em pura armadilha

Noite adentro se aprofunda

E acorda virado em cinza 


Amor que esquece sua origem

E vegeta sob a sombra

De um cenário impossível 

Roteiro que evita o filme

Coração preso em cadeia

Ninguém enxerga no exílio 


Amor fora do otimismo

Que se reduz muito cedo

E acaba sem alimento 

Flor de jardim suspenso

Joio sufocando o trigo

Ronco de gruta escondida 


Amor que só sobrevive

Se houver amor por si mesmo

Que do teu corpo independe

E vive no ar rarefeito

De montanhas de granito


Onde gigantes criaram 

Mistérios de megalitos

Ruínas inacessíveis 

Do amor que morto resiste


Nei Duclós

4 de junho de 2023

TEIMOSO

 Nei Duclós 


Aproxima-se o final do outono

Armas do inverno limpando o cano

Sonhos de verão por baixo do pano

Amor que vi morrer ainda pulsando

Vida sem razão em mais um ano

Corpo em reclusão fecha o balanço 

O vento ameaça vir de longe

Batem na porta com força de gigante 

Cruzarei este mar mesmo sem apoio 

Vim do levante, existo de teimoso


Nei Duclós

3 de junho de 2023

AVÓS

 Nei Duclós 


Os avós são pássaros Invisíveis

Que se ocultam nas nuvens

E de lá não saem


As vezes nem sabemos seus nomes

E nas fotos são rostos anônimos 

Nem um pouco parecidos conosco


Sem saber herdamos seus gestos

E cultivamos hábitos sem ter por onde


Arriscamos até um pigarro

Uma tosse que ressoa 

Quando dizem

Parece teu avô 

Herdeiro desnaturado


Vá visitá-lo, dizem

Revele o pássaro 


Nei Duclós

1 de junho de 2023

DESAPEGO

 Nei Duclós 


Não importa a palavra

Em forma de conversa ou poema

Zeramos o que nos fez humanos 

Montamos no

manso cavalo

Do desapego


O mundo bate o ponto. Hora de começar tudo do novo 

Sem nossa presença

Solidão de veteranos


Nei Duclós

26 de maio de 2023

HUMANO

 Nei Duclós 


De tudo o que é humano faço parte

Do épico ao mundano

Da grandeza e pequenez da espécie 

Da sua História e esquecimento


Não que eu sirva de síntese ou exemplo

E queira provar o que não tenho 

Ou exibir humildade para posar de estátua 

Ou fazer caridade para divulgar meu gesto


Mas por ser datado e fruto do esforço 

De manter-me à tona em precário barco

E desafiar o oceano com as lições que aprendo 

Nas ilhas do meu destino escasso


Por ser o último dos moicanos

O que fica na aldeia por estar caído 

Pela mulher que não parte com a tribo

E aguarda, exausta, bela

O amor que tarda em meu coração de palha


Nei Duclós

25 de maio de 2023

SOBRENATURAL

 Nei Duclós 


Tampas de remédios que colocss à vista por segundos e quando olhas para o lado elas somem.


Sombras que passam pela sala e vês na hora de dormir quando a porta do quarto está aberta.


Alguém invisivel se aproxima atrás de ti quando estás cozinhando.


Você perde os óculos e achas depois de dias no mesmo lugar onde sempre deixas.


Sonhas sempre com a mesma casa que custaste a vender e nela moraste por 20 anos.

DESFEITA

 Nei Duclós 


Me abasteci de lembranças 

Para dar de presente

Eram a joia da coroa

Verdadeiros brilhantes


Mas você recusou todas

E pediu novos versos 

Aqueles que eu escondia no bolso 


Cedi meio contrafeito

Esses eu guardava

Para o futuro


Mas o futuro já veio, disse ela

Adivinhando pensamento

Só esses eu aceito

Porque para mim foram feitos

E ninguém dirá ser a dona

Me fazendo desfeita


Guardei as lembranças 

Para um futuro distante


Nei Duclós

19 de maio de 2023

OUTRO MAR

 Nei Duclós 


Venha ao mar, dizem, convictos

mas o mar eu imagino


O mar mesmo, decisivo

não é o mar do meu estilo


Prefiro o mar de menino

que eu deixei sem arrimo


O monstro mar infinito

não o mar que está na esquina


Já vi o mar, não repito

a emoção de descobri-lo


Não quero o mar de rotina

previsível na notícia


Quero o mar que está comigo

como parceiro de briga


O mar que não me abandona

como um verdadeiro amigo


O mar que o poema inventa

para lhe fazer justiça


Nei Duclós

18 de maio de 2023

INDECISA

 Nei Duclós 


Quando me vês assim tão caído 

Depois de amargar o mais longo exílio 

Ermo de ti e do amor prometido

Servindo a Marinha na guerra das ilhas 


Ficas imóvel por estar dividida

Então era esse quem eu tanto esperava

Perguntas sofrida ao humilde uniforme 

Que não te encara por temer o destino


Sou eu, digo, jogando a mochila

De rosto roído e andar de mendigo

Voltei para viver junto contigo

A não ser que não queiras quem sonha acordado


Aguardo um milagre na porta bandida

Talvez uma seta do instável Cupido 

Que volte a atingir a bela indecisa


Nao basta sobreviver ao pior inimigo

Ainda é preciso a coragem mais forte

De esperar que percebas o heroísmo

Do soldado vencido que a batalha devolve


Nei Duclós

13 de maio de 2023

A LUA CAIU

 Nei Duclós 


A Lua caiu 

Não sabemos aonde

No fundo do mar

Onde agora se esconde

Ou talvez na montanha

Em grutas de bronze

No meio do mato

Escapando do fogo

Ou na grama do pampa 

Misturada aos rebanhos


A Lua caiu

Como fruta no outono

Seu perfume está pronto

Com açúcar e sangue

Quebrou-se no espelho

Que trazia na fronte

Rolou pelo abismo

Num quarto minguante

Era fase de Lua

Não tinha importância

Sequer fez barulho

Como bicho que tomba


A Lua caiu

Foi parar no meu bolso

Ninguém diz que viu

O estranho fenômeno 

Ou que ouviu

O rosnar da hecatombe

Guardei no meu canto

Lá escondo tesouros

Como estrelas cadentes

Colares de sonhos


Inventei novo céu

No ar do horizonte

Combino com flores 

Para quando voltares 

De lugares tão longe

Terás tua Lua

De brilho mais raro 

Caída de espanto

Grudada em teu rosto

Como gota de orvalho


Nei Duclós



11 de maio de 2023

CRIME

 Nei Duclós 


Não tenho perdão

Do amor fui desperdício 

Abandonei o que me pareceu abismo

Era planície, mas visto a distância 

Não fazia o sentido imaginado


E assim fui descendo, rio que despenca da montanha

Feito de chuva e pedras de vulcão 

Soltei a mão de quem me via firme

A frouxidão substituiu o arrimo


A poesia perdeu com isso o rumo

Não me perdoe, mulher não merecida

A solidão completa o ruído provocado pelo crime


Nei Duclós

MÊS DE MAIO

 Nei Duclós 


Maio, mês de Miguel

Filho, para sempre perdido

Com a sorte, de vê-lo nascido

E crescido, em sabedoria


Viver, foi muito dificil

Morrer, no minuto seguinte

Menino, de profundo espírito 


Maio, mês de Maria

Que o recebeu, rebento querido

Em sua graça, a melhor companhia


O luto, postado na esquina

Aguarda, quem se aproxima

Eu passo, arrependido

Perdão, por estar distraído 


Maio, quem sabe eu te ligo

Pai? ele atende solícito 

Saudade, é só o que lhe digo

Sofremos, a vontade divina


Nei Duclós

4 de maio de 2023

OUTRA ORDEM

 Nei Duclós 


Parece que se esgota em tanta obra

A criação que se repete pelo verbo

E acabamos vazios como no inverno

As ruas sem o povo são desertas


Mas o frio obedece a outra ordem 

O clima se amarra em calendário 

Já nós, autores sem resguardo

Até nas pedras encontramos nosso espaço 


Não desistimos de dizer e fazer arte

Porque para isso nascemos nessa esfera

Conforme o plano ancestral de rumo incerto 


Não sabemos, por isso reservamos

O tempo em ânforas de barro


Nei Duclós

IMPERFEIÇÃO

 Nei Duclós 


Você não sabe onde o cara está metido

Enquanto o consideram o tal, joia de um carisma


Entrevistem o cachorro da família

E o garçom que serve sua comida


O que diz de fato diante da mídia

Estaria em sintonia com o perfil público?


A imperfeição da estria em pele lisa

deve pincelar a estátua 

A covardia dá as cartas se não for assim


O crime assedia a homenagem

O granito cede à humanidade 

Não se iludam com a falsa majestade


Depois se surprendeem ou debocham

Quando emerge o terror na bela praia 

Mas estava escrito

Assim se consuma a profecia


Melhor se prevenir


Nei Duclós

ÁGUIA

 Nei Duclós 


Não perca o poema em seu esboço 

Ponha no bolso

Depois desenvolva


O recém  nascido que cai do ninho

E sobrevive aos corvos

Bem tratado um  dia alça voo


Eis a águia 

Dos ares soberana


Nei Duclós

1 de maio de 2023

VISÃO

 Nei Duclós 


Deuses antigos duraram mil anos 

Depois se foram 

em cataclismos vulcânicos  

Assim como teus olhos boneca de pano

Que insistem em me excluir

Mas tua vez vem chegando


Meu corpo ressuscita se fores espanto

Visão de um amante, sujeito estranho


Voltarei então com meu

rosto em pânico 

Verás que sou ainda um alguém  humano

Estátua de sal, verso sem dano


Nei Duclós

26 de abril de 2023

 RELATÓRIO DA VIAGEM EM MISSÃO DE PAZ 


Navegando no navio que me recolheu de um naufrágio 

E foi reformado depois de minha volta triunfal à terra sagrada

Fui recebido em todos os continentes

Fiz continência para tripulações diversas

E capitães de todas as cores

Sóbrio e abnegado em minha farda de oficial outorgada por meus pares

Sem o merecimento da guerra mas da sobrevivência

E desci em portos capitais e desconhecidos

Depositei flores em túmulos de heróis

Eternizados em bronze extraído de canhões

Que abrigam frases ensinadas pela vida 


 Não foi a apoteose de um guerreiro

Mas de um cidadão comum adotado pelo mar

E que no chão da sua Pátria exerce a sabedoria

Dos viajantes que somem no horizonte

E depois de muitos anos voltam para contar o que viram

Nas tempestades enviadas por Netuno

O pai das águas que engolem esquadras

E devolvem os aventureuros com o dom da profecia


Nei Duclós

DESFILE

 Nei Duclós 


Sonhar, lembrar, querer

Tens o dom de me despertar

Acordo em teu amanhecer

Tanto corpo nas alturas do céu


Não compensa perder-te no ar

Não há memória para o teu lugar 

Não abarco os limites do luar

O verbo se submete ao tirano amor 


Vens num andor, o meu olhar

Desfilas sem pudor na contra luz

Sou teu guarda de uniforme azul 

Trabalho na Marinha e na pressa vou partir


Nei Duclós

20 de abril de 2023

TEIA

Nei Duclós 


Desfolhei-te como a um livro

Que ao não ler linha por linha

Acabei breve no epílogo 

Sem saber como termina

Essa pressa em seres minha

Que nas margens se destina

A esconder-se toda tímida 


Dicionária fugitiva 

De conflituosa leitura

Neo-romancista tardia

Que me enreda em teia espúria 


Desconheço tuas letras

Para compor melodias


Nei Duclós

10 de abril de 2023

DA RELIGIÃO

 Nei Duclós 


Pessoas idosas tornam-se muito religiosas porque a soma das perdas ultrapassa a capacidade de suportar. Não há vida que caiba em tanta dor. A fé providencia o espaço necessário para continuar andando.


Mas a fé só se segura com o estudo da doutrina. Repetir orações e hábitos pode devolver os mais antigos ao ceticismo da mocidade. Ouvir o sacerdote preparado, ler sobre os mistérios fazem do conhecimento um antídoto contra os falsos profetas e os neo milionários da auto ajuda, que exploram a fé  coletiva sem as bases que sustentam a religiosidade.


A Bíblia traduzida para o idioma falado por todos ajudou a  construir uma civilização. A ética da espiritualidade iluminou o Direito e disciplinou a cidadania, segundo a visão weberiana da América. Em outras nações o peso da palavra revelada engessou sociedades e governos. E gerou alternativas que disseminam o obscurantismo.


O Apocalipse é presente em qualquer tempo. O medo desperta a busca da transcendência. Todo esforço de soterrar as religiões esbarra na vida humana datada. A utopia do materialismo é  sempre vencida pela realidade do sagrado.


Leva-se uma vida para abraçar o reforço da religiosidade. Costuma acontecer quando, longevos, enxergamos melhor o que a existência nos reserva.


Nei Duclós