28 de janeiro de 2022

JOGO

 Nei Duclos 


Se estiveres voando 

Não se impressione

Eh só cinema


Se estiveres chorando

Não eh contigo

Eh só um romance


Se estiveres pensando

Não se esqueça

Vem de outra fonte 


Se estiveres criando

Não amoleça

Deus esta vendo

22 de janeiro de 2022

FIM DO MUNDO

 Nei Duclós 


O mundo então calou-se

Por não ter o que dizer

Fechou-se em copas

Como as plantas carnivoras

Depois de devorar os últimos insetos. 


O poema mudou-se

Para planetas mais doces

Onde possa sobreviver


O colecionador de sementes

Navega sem porto no mar ignoto

Que bate nos contrafortes

Das serras do amanhecer


Nei Duclós

17 de janeiro de 2022

PERFUME

 Nei Duclós 


Se agora estou vivo

Ainda há esperança 

Mesmo que a dança do extermínio

Se encha de confiança

E imponha o ritmo do funeral na consciência

E o coração esteja tão vazio

Como o rio Uruguai na seca


Agora estou vivo

E todas as memórias  se completam

Povoamos o paraíso de  conflitos

Mas colhemos a flor do fruto ainda por vir

O jeito de resistir 

Imaginando um futuro  com o perfume de conquista



15 de janeiro de 2022

QUATRO ESTAÇÕES

 Nei Duclós 


O que fiz está feito

Não mudarei o entorno da torta árvore 

O corpo é  o que ofereço à eternidade


Os versos são datados

Folhas secas de um outono raro

Véspera do inverno do esquecimento 

Grudado ao verão que o 

anunciou amargo


Fiz por gosto e contingência 

Não fosse o amor

Não teria feito

O melhor de mim

Primavera tardia mas a tempo




14 de janeiro de 2022

COMEÇO

 Nei Duclós 


Aqui, Uruguaiana, onde o Brasil começa

Onde o rio rumo ao Prata abraça o pampa

Somos o sinal de alerta de um país soberano 

A paz da sesta, a pressa do Minuano


Lutamos pelo chão,  

encharados de sangue

Terra de pescadores, de plantas e rebanho


Em tuas ruas largas mora a memória 

Em teu coração montei minha casa de barro 

Meus cavalos de sonho, querencia a céu aberto


Aqui, Uruguaiana

Onde sopra a grandeza

De sermos conterrâneos 



8 de janeiro de 2022

NAVALHA

 Nei Duclós 


Arrisco na oficina

Já gasta de tanto ofício

Duvido que reaviva

A chispa que alimente a trilha


Noto o fio cego da mavalha

Na longa noite de metais sujos

A mão que iluminou maravilhas

Apenas se pergunta 


Serei ainda o ogro do verbo claro

Ou viciei na lavoura do deserto?


Crie o que pinta, disse assim o anjo 

Exausto dessa minha rotina

De morar no céu a inventar o mundo

E não saber ainda qual o meu destino


Acredite, disse ele

Eu só existo porque és exímio

Em produzir o sonho no universo cinza

A revelar o verbo oculto em bruta mina

Mesmo que negues ser o escolhido 


Nei Duclós

2 de janeiro de 2022

A RAINHA DO MAR

 A RAINHA DO MAR


Os versos nascem livres

E cedo aprendem a voar

Pousam em jardins inacessíveis

Onde jamais serão recolhidos para formar uma obra


A poesia sobra 

Ave soberana do oceano


Nei Duclós

NÁUFRAGOS

 NÁUFRAGOS 

Treinei contigo o amor impossível 
Caímos de boca na liberdade virtual
Cada palavra com sabor de verdade
O desejo embrulhado no sonho
O corpo jogado num temporal

Depois acordamos
Como náufragos na praia do real

Nei Duclós 

31 de dezembro de 2021

M,IRAGEM

 MIRAGEM 


Quando enfim apertarmos as mãos 

Depois deste tempo em que encostamos nossos socos

Num futuro ano novo ainda humano

E a dor for apenas memória 

Teremos então uma história para  contar

Nos livros que ressuscitarão 


Nei Duclós

25 de dezembro de 2021

REPARTE

 Nei Duclós 


Irmão é  reparte do genoma

Cromossoma afim, berço, carona 

Porção do mesmo nome

Coadjuvante, persona

Que cresce na divisão do bolo


Adulto, continua criança 

Pela memória comum, fruto de família 


E quando parte leva junto

O que fomos, o que seremos

Órfãos de uma sintonia

Herança bruta

Apenas irmãos 

Na terra onde pertencemos


Nei Duclós

24 de dezembro de 2021

GUARDA

 GUARDA


Para onde vão os sonhos depois que acordamos?

Ficam de plantão  como guarda noturno?

Somem  ou nos perseguem em becos e sombras?


Se escondem fingindo-se de mortos?

E reaparecem como os blocos de sujo

Nas ruas da vizinhança?


Serei o que estava só no deserto?

Na avenida lotada pedindo carona?

Terei asas? Homem  voa?

Sou Santos Dumond que pousa no pampa?


Para onde vou, navegador errante?


Nei Duclós

22 de dezembro de 2021

TERRA SECA

 TERRA SECA O tempo se esvai como chuva na sarjeta escoa seu espírito de correntes Vai diminuindo o fluxo que o alimenta E nos deixa na rua de terra seca Já que o perdemos por não poder retê-lo Olhamos para o céu: Quando voltará seu acervo Estamos com sede, Deus intenso Nei Duclós

AMARELO GRIS

 AMARELO GRIS Que nenhuma política nos divida Nem te afastes por qualquer motivo O tempo exige compromisso Teu coração no meu, prazeroso ofício Não falo de perdão ou o que demais exigem Para compor o laço indestrutivel Abraço no palco e câmara em rodízio Com gargalhadas mudas de orgasmo múltiplo Nosso vínculo não depende do show business Somos precários como antigo circo Sou palhaço e choro E ao cair do trapézio abres um sorriso Não importa tantas brigas Valeu o sacrificio Tomo banho no rio, moras na Bahia Teu cabelo amarelo, minha roupa gris Existe uma nação no arco- íris Nei Duclós

29 de novembro de 2021

PLUMAS

 Nei Duclós 

Sou o pássaro que escuta Ouvido PLUMAS Sou o pássaro que escuta Ouvido canoro de uma festa: Tua voz, trinado de canções ocultas Vivo de ouvido, cantora de violão em punho Pinho de plumas: notas aladas de um convite Sou o pássaro que escuta Teu coração é o pulso Da minha arte, a poesia Nei Duclós de uma festa: Tua voz, trinado de canções ocultas Vivo de ouvido, cantora de violão em punho Pinho de plumas: notas aladas de um convite Sou o pássaro que escuta Teu coração é o pulso Da minha arte, a poesia 

21 de novembro de 2021

BRIGA

 BRIGA Todos conhecem flores Sabem os nomes Batizam espécies Detectam nuances de perfume e néctar Cortam, colhem fazem arranjos Cobertos de papel celofane Exibem as pétalas de colarinhos brancos Mas só tu, fogo, pólen É flor de verdade, cada vez mais bela De olhar mais doce Pele de fada E não pode dizer que me ama Porque tem compromisso E desmaia Toda vez que se declara Aberta como um talho de adaga Depois de uma briga de foice Pelo amor que nega Nei Duclós

0 ADEUS

 O ADEUS O adeus tirou o que tinhas me dado O amor sem limite O sonhar acordado O adeus me levou a viver no passado O perfume da noite O corpo grudado O adeus inventou este rosto riscado O andar de mendigo O olhar sem um norte O adeus não costuma escrever uma carta O correio fantasma Envelope sem data O adeus não permite o muito obrigado Não há mais surpresa Para alguém solitário O adeus não passeia nos cantos da praça O inverno perene A mudez dos pássaros O adeus é o que resta Do teu beijo molhado O ar que me falta O calor da tua graça Nei Duclós

DESTINO

 Nei Duclós 


Morei no paraíso Gênesis da infância Quando o tempo não desanda Acolhido pela memória Tudo o que foi dito é repetido Nos cadernos de aforismos dos antigos Nascemos depois, sob artifícios De palavras escritas por reis líricos Não penso mais, perdi o brilho Quero apenas que voltes, amor perdido Só tu presta atenção ao meu comício E encara minha sorte por princípio Contigo fundo a filosofia Para discípulos do sentimento É o único jeito de ser feliz Entregar o destino à poesia Nei Duclós.

20 de novembro de 2021

LENÇO

 Nei Duclós 


LENÇO Cortejar não é assédio Mas aproximação de comum acordo A diferença está na intenção A corte civilizada não é invasiva nem violenta É amostra do futuro amor E um pedido de clemência Do desejo preso pela distância Atenda meu gesto, bela criatura Sou feixe de nervos, barco sob o sol Alcanço-te um lenço que cedeste distraida Que eu te devolvo em beijos Na tua mão E o sonho de lençóis em nossa vida 

GOTAS

 Nei Duclós 

GOTAS Escapas das mãos como gotas amparadas por um amor sem reservas Que assim te perde Achei que por ter sido nuvem manterias a forma flutuando intacta no crepúsculo Mas veio a noite E veio a chuva Meus pés perdidos estão encharcados De estrelas cadentes E úmidas 

14 de novembro de 2021

TODA ARTE

 Nei Duclós 


Ninguém vive sem a arte A própria ou a feita de outras mãos Momento sonoro no chuveiro Qualquer borrão de lapiseira Brinquedo de vidro, pintura A madeira encaixada na moldura Os garranchos de amor no caderno da colega A fantasia, a bolsa de palha Toda arte é humana corrente De um rio sobrevivente Nei Duclós

SUSTO

Nei Duclós 


O orgasmo como autópsia em corpo vivo Cada órgão vibra em tuas mãos dilaceradas E os olhos roçam o teto Como Tupã troveja na tempestade Na aparência estás muda Sentas na mesa como a deidade desce à terra Depois de colocar a corte de Zeus De pernas para o ar Ninguém ousa perguntar o motivo do transtorno Nem mesmo eu, soldado que ficou de guarda E te viu através de mil cortinas Eras a bailarina na noite em que todos foram à guerra Impossível recusar teu convite Juno, Medusa, Afrodite Levei um susto que rasgou o céu E verteu a teia múltipla de estrelas Nei Duclós

13 de novembro de 2021

CAÇA

 Nei Duclós 

Visitar as palavras na prisão não gera um poema Soltá-las é uma ilusão Pois carregam a punição lá fora A solução é penetrar no mato Atrás do verbo selvagem Fique longe do noticiário Não engrosse a corrente de pensatas Nem faça laboratório atrás da panaceia Não debata, não desconverse Não advogue em porta de cadeia Vá à caça Busque a fera Encontre o canto solto e suas garras 

11 de novembro de 2021

NEVOEIRO

 Nei Duclós 


 O amor desce como nevoeiro depois do entardecer Nao chega a ser neblina, fog, fogo fátuo ou sei lá o que É mais uma chuva, uma paisagem de Monet Que cai em meu sobretudo sem se ver De repente estamos impregnados do bouquet Que teus lábios marcam antes de partir A lua sente pena desse amor que não tem vez E vinga-se soltando plumas, o amanhecer l

10 de novembro de 2021

PERFIL

 Nei Duclós 


PERFIL Todos sabem como eu sou Um rosto para cada verso de amor Todos sabem como és Mulher que nenhuma chega aos pés Não acreditas porque é verdade Arte de Inverossímel beldade 

9 de novembro de 2021

SÓTÃO

 Nei Duclós 

SÓTÃO Visitei o sótão de poemas Guardados numa vida em pensamento Estava vazio, sem serventia Dispersei como areia ao vento Teriam valor? Cedo me convenço Mas fingia a dúvida que já existia Desde o princípio O resto, perdi tempo Talvez fossem fortes num primeiro instante E ocupassem espaço, os tratantes No fundo eram apenas companhia Para a solidão do espírito sem habite-se Chega o momento em que não mais funciona O charme e a autocrítica infame A obra é um sonho no derrame Ficamos paralisados pelo medo O segredo é saber onde se situa A palavra afiada em terra bruta És pedra, me disse um anjo Voas no alto da montanha Toda vez que a águia soberana, os sobreviventes Pousam os olhos em teu encanto São as vitórias numa guerra perdida, a de ser humano Nei Duclós

1 de novembro de 2021

LUZ QUE TE DESENHA

 Nei Duclós 


LUZ QUE TE DESENHA Venha dizer, maçã e gerânio. Sopro macio, que cruza o oceano. Domar a vontade de perder-me. Mergulhar na luz que te desenha Dormimos ao relento de um amor no começo. Complicado jogo de cobertas. Acordamos em alto mar, mortos de espanto. Não há segredo. E quando houver, deixe. Fora do molde, longe do modelo. Apenas nós, criaturas precárias. A única força é esse sentimento. E, claro, o extremo cuidado com algum detalhe, para fisgar o beijo. Te escondes, tentação de fogo. Me queimo, diante do teu corpo. Falo cifrado para que não atentem, pitonisa de sonhos. Estavas quieta, contente. Fui mexer contigo, travesso. Lançaste uma flecha, veneno. Depois me queixo, em teu banho. Lanças uma ponte, o namoro. Difícil, com minha vocação de abismo. Te inventei, porque te foste. Depois que me desconstruíste. Arquiteta pelo avesso. Floriste, por hábito. Oculto riso sob o rosto imóvel. Ninguém viu a correnteza interna. Só eu, demiurgo do verbo. Não sei mais o que dizer, disse ele. Permaneça no beijo, disse ela. AGRADECIMENTO Tanto amor que nem mais cabe nos limites do dia. Extrapola, como estrela cadente ao contrário. Sai do fundo da terra para o espaço Incendeia-se em permanente viagem Tanto amor que vira ciranda na mecânica dos astros música das esferas constelação de abraços Nei Duclós Para todos que me felicitam neste 29 de outubro

31 de outubro de 2021

NOVOS LANCES

 NOVOS LANCES É pouco o que te dou Mesmo com tanto estrago Teus gritos assustam as pombas Mas eu fico devendo mais amor Dizes que estás a panpa E implora sairmos, embora Tenhas razão eu arquiteto novos lances Para que haja motivos suficientes De um salto quântico Quando então a felicidade for definitiva Beldade que eu temo perder Por um instante Nei Duclós

26 de outubro de 2021

NEI DUCLOS- O POETA DAS TRAVESSIAS

 


Nei Duclós - o poeta das travessias

Nei Duclós - foto: Naná Monteiro/divulgação

© Pesquisa, seleção, edição e organização: Elfi Kürten Fenske
Por gentileza citar conforme consta no final desse trabalho.  
Página original FEVEREIRO/2016 | ** Publicação revisada e atualizada AGOSTO/2021


"Quero um sorriso que dure uma quadra e dobre a esquina a iluminar-me."
- Nei Duclós, do poema 'Quero um sorriso', no livro "Outubro". Porto Alegre RS: IEL; Nação, 1975.
 


Nei Carvalho Duclós ( Jornalista e escritor). Nasceu em Uruguaiana RS, em 29 de outubro de 1948formado em história pela USP, atualmente reside em Florianópolis SCNei Duclós começou a revelar sua poesia a partir de 1969, quando foi para praça pública expor poemas junto com outros autores. Reuniu primeiro estes trabalhos em duas coletâneas mimeografadas e depois no seu livro de estréia, Outubro. Seu segundo livro - 'No meio da rua' - com prefácio de Mario Quintana e o terceiro 'No mar, veremos' tem apresentação de Mario Chamie. Participou de diversas antologias desde os anos 70. É jornalista profissional desde 1970, tendo trabalhado em alguns dos principais veículos de comunicação do país, como Folha de S. Paulo, Istoé e Senhor. Tem ensaios, crônicas e reportagens publicados em Zero Hora, Veja, Escrita, Bravo!, Arte Hoje, Globo Rural, entre outros. Trabalhou em comunicação corporativa e publicidade nas empresas Propague, Hífen e Fiesp. Tem poemas traduzidos para o italiano pela revista Sagarana (Lucca) e inglês para a Rattapalax (Nova York). Mantém dois espaços permanentes na internet: o site Consciência, e o blog Outubro.

“Lento e bruto
     Eu mudo
Sei que vem
   Outubro”
 

- Nei Duclós, em "Outubro". Porto Alegre RS: IEL; Nação, 1975. 


Foto dos  livros de Nei Duclós -  autoria de Naná Monteiro

OBRAS DE NEI DUCLÓS

Poesia
:: Outubro. Nei Duclós. [diagramação Juarez Fonseca; ilustrações, capa e apresentação Claudio Levintan]. Porto Alegre RS: IELNação, 1975.
:: No meio da rua
Nei Duclós. [prefácio Mario Quintana; apresentação Juarez Fonseca; capa Ivan Pinheiro Machado]. Porto Alegre RS: L&PM Editora, 1979.
:: No mar, veremosNei Duclós. [prefácio de Mario Chamie]. São Paulo: Editora Globo, 2001.
:: Partimos amanhãNei Duclós. Porto Alegre RS: IEL; CORAG, 2012.

Romance
:: Universo baldio
Nei Duclós. [apresentação Raduan Nassar]. São Paulo: W11 Editores/ Francis, 2004.
Nei Duclós, por P. Caruso (1984)
:: Tudo o que pisa deixa rastroNei Duclós. Florianópolis SC: Edições do autor, 2015.

Contos e crônicas
:: O refúgio do príncipe - histórias sopradas pelo vento
Nei Duclós. [ilustrações Fábio Abreu]. Florianópolis SC: Editora Empreendedor, 2006.

Reportagem
:: Laguna obra e paisagem
Nei Duclós. Florianópolis SC: selo de literatura Cartaz; Editora Expressão, 2012.

Ensaios
:: Todo filme é sobre cinema
Nei Duclós. Coleção Aldus, vol. 40.  São Leopoldo RS: Editora Unisinos, 2014.

História
:: A marcha do grão de ouro. (SOJA: a cultura que mudou o Brasil). Florianópolis SC: Editora Expressão, 2014.

Infanto-juvenil
:: Diogo e Diana - Meu vizinho tem um ROTTWEILER (e jura que ele é manso...).. [autores Nei Duclós e Tabajara Ruas].. Série Diogo & Diana, vol. 1, São Paulo: Galera Record, 2007.
:: A trilha da lua cheia. [autores Nei Duclós e Tabajara Ruas].. Série Diogo & Diana, vol. 2, São Paulo: Galera Record, 2011.

Em e-book*
:: Arraso - poemas de amor (poemas). 
Nei Duclós. Edições do Autor, 2012.
:: Jack o marujo – um romance de aventuras em twites (romance). Nei DuclósEdições do Autor, 2012. 
:: Beijo entre nuvens (crônicas). Nei Duclós. Edições do Autor, 2012.
:: Outubro. edição fac-similar, 1975 (poemas). Nei DuclósEdições do Autor, 2012. 
:: Pampabismo/enigminas: conversos (poemas). Nei Duclós. Edições do Autor, 2013.
:: Cálida palavra (poemas)Nei Duclós. Edições do Autor, 2013.
:: Trovador (poemas). Nei Duclós. Edições do Autor, 2014.
:: Verso esparso (poemas). Nei Duclós. Edições do Autor, 2014.
:: Mágico deserto - contos fora de forma (contos). Nei Duclós. Edições do Autor, 2014.
:: Semeador (poemas). Nei DuclósEdições do Autor, 2015.
:: Outubro (poemas)Nei Duclós. [ilustrações Claudio Levintan]. 40 anos de lançamento/Edição comemorativa. Edições do Autor, 2017.
:: O refúgio do príncipe: contos e crônicasNei Duclós. Editora Bestiário, 2017.
:: A viajante obscura: poesiaNei Duclós. Editora Bestiário, 2017.
:: Arraso: poemas de amorNei Duclós. Editora Bestiário, 2017.
:: A dura luz do subúrbio(romance) Nei Duclós. Edições do Autor, 2018.
:: Miguel. (poemas) Nei Duclós. Edições do Autor, 2019.
(*Adquira seu exemplar, escrevendo para o autor: (neiduclos@gmail.com)
(**) ou adquira na Amazon (acessado em 21.8.2021)

Apresentação, prefácios e introdução em livros 
:: Notícias da guerra e o destino de Laura. Vera Ione Molina [introdução Nei Duclós]. Editora Bestiário, 2017.

Antologia (participação)
BLANCO, Ramón Alfredo (coord. editorial). Antología Poética del Río Uruguay (Antologia Poética do Rio Uruguai). Paso de los Libres AR: Ediciones Municipales Paso de los Libres, 2008. 
CAMARGO, Dilan (org.). Antologia do sul - poetas contemporâneos do RS. Porto Alegre RS: Assembleia Legislativa do Estado do RS; Metrópole Gráfica, 2001. Disponível em pdf no link. (acessado em 1.2.2016). 


Nei Duclós - foto: acervo do autor
Artigos, crônicas e ensaios em jornais e revistas
DUCLÓS, Nei. TomZé, torcendo as regras do jogo. in: Folha de S. Paulo, Ilustrada, 31.3. 1978. republicado em Consciecia, 4 mar. 2011. Disponível no link. (acessado em 1.3.2016).
_______ . 
“Abertura” diante do espelho. in: Ilustrada, Folha de São Paulo, São Paulo, 28/6/1979, p. 46.
_______ . Design, enfim uma polêmica. Istoé Senhor, Maio, 19, 1982, p. 63.
_______ . O fôlego, o fole, o sopro. in: La Insignia, Brasil, julho de 2004. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016)
_______ . 2001: O filme feito no futuro. in: La Insignia, Brasil, janeiro de 2005. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016).
_______ . O enigma Rosebud. in: La Insignia. Brasil, fevereiro de 2005. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016)
_______ . Ver é saber em Kubrick. in: La Insignia. Brasil, fevereiro de 2005. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Shosha: Não há respostas, apenas encantamento. in: La Insignia, Brasil, agosto de 2005. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016).
_______ A arte por um fio. in: La Insignia. Brasil, abril de 2006. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016). 
_______ É de trem que eu preciso. in: La Insignia, Brasil, abril de 2006. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016).
_______ Leitura da poesia selvagem. in: Nankin Editorial, novembro de 2006. Disponível no link. (acessado em 1.2.2016).
_______ A síndrome do último. in: O Guarucá, 11.10.2007. Disponível no link. (acessado em 1.2.2016).
_______ . Palavra perdida. in: Jornal Opção, edição 1855 de 23 a 29 de janeiro de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . O ego e sua sombra. in: Jornal Opção, edição 1861 de 6 a 12 de março de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016). 
_______ . Livro é pedreira. in: Jornal Opção, edição 1862 de 13 a 19 de março de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Em busca do cânone. in: Jornal Opção, edição 1866 de 10 a 16 de abril de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . “Socialismo”, de Godard: o desafio de entender. in: Jornal Opção, edição 1868 de 24 a 30 de abril de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).

_______ . Justiçamento em ato de guerra. in: Jornal Opção, edição 1870 de 8 a 14 de maio de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Confronto entre narração e design. in: Jornal Opção, edição 1871 de 15 a 20 de maio de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . O Suposto, um jornal isento. in: Jornal Opção, edição 1873 de 29 de maio a 3 de junho 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . O discurso de ruptura no cinema. in: Jornal Opção, edição 1877 de 26 junho a 2 de julho de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Uma religião oficial. in: Jornal Opção, edição 1880 de 17 a 23 de julho de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Billy Wilder abre o baú de Sherlock Holmes. in: Jornal Opção, edição 1881 de 24 a 28 de julho de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Mídias sociais: o desafio teórico. in: Jornal Opção, edição 1882 de 31 de julho a 6 de agosto de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Intocáveis: Pretty Woman da era Facebook. in: Revista Bula, 8.10.2010. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016).
_______ . The Front Page: atualidade de um clássico. in: Jornal Opção, edição 1883 de 7 a 13 de agosto de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . O stand up é um perigo. in: Jornal Opção, edição 1884 de 14 a 20 de agosto de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).

_______ . Acaso e fortuna em Eric Rohmer. in: Jornal Opção, edição 1885 de 21 a 27 de agosto de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Amigos do peito. in: Jornal Opção, edição 1886 de 28 de agosto a 3 de setembro de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Fellini: a festa da insanidade. in: Jornal Opção, edição 1887 de 4 a 10 de setembro de 2011. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016). 
_______ . As cartas perdidas. in: Jornal Opção, edição 1888 de 11 a 17 de setembro de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016). 
_______ . John Huston: a maldade e seu avesso, a coragem. in: Jornal Opção, edição 1889 de 18 a 24 de setembro de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Wim Wenders: o voo do flâneur. in: Jornal Opção, edição 1890 de 25 de setembro a 1 de outubro de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Kurosawa, viver no apocalipse. in: Jornal Opção, edição 1891 de 2 a 8 de outubro de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
Nei Duclós - foto: Nana Monteiro/ND online
_______ . As cartas perdidas de Caio Fernando Abreu (parte 2). in: Jornal Opção, edição 1892 de 9 a 15 de outubro de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Cartas Perdidas. in: 15 anos sem caio blog, 12 de outubro de 2011. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016).
_______ . Um poema de Tomas Tranströmer (Nobel de Literatura 2011). in: Jornal Opção, edição 1893 de 16 a 22 de outubro de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016). 
_______ . Macbeth: o destino traído pela profecia. in: Jornal Opção, edição 1894 de 23 a 29 de outubro de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Cartas Perdidas de Caio Fernando Abreu (parte 3). in: Jornal Opção, edição  1895 de 30 outubro a 5 de novembro de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016). 
_______ . O massacre como narrativa. in: Jornal Opção, edição  1896 de 6 a 12 de novembro de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Alejo Carpentier e a origem do romance. in: Jornal Opção, edição 1898 de 20 a 26 de novembro de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Fair Game: a verdade é um alvo fácil. in: Jornal Opção, edição 1900 de 4 a 10 de dezembro de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Soma de cinema. in: Jornal Opção, edição 1905 de 8 a 14 de janeiro de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Livro cúmplice. in: Jornal Opção, edição 1906 de 15 a 21 de janeiro de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016). 
_______ . Livro cúmplice. in: Revista Bula. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016).
_______ . Gogol: a hierarquia social na origem da insânia. in: Jornal Opção, edição 1907 de 22 a 28 de janeiro de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . A execução. in: Jornal Opção, edição 1908 de 29 de janeiro a 4 de fevereiro de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016). 
_______ . O normal e o bizarro. in: Jornal Opção, edição 1909 de 5 a 11 de fevereiro de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016). 
_______ . A força do gesto fragilizado (Pina, de Wim Wenders). in: Jornal Opção, edição 1910 de 12 a 18 de fevereiro de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . O clichê funciona. in: Jornal Opção, edição 1911 de 19 a 25 de fevereiro de 2012. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016).
_______ . A mala que guardava segredos. in: IEL/RS, 3.3.2011. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016).
_______ .Tintin: uma antologia do cinema. in: Jornal Opção, edição 1913 de 4 a 10 de março de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Scorsese e a segunda morte do cinema. in: Jornal Opção, edição 1914 de 11 a 17 de março de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Amor é transparência. in: Jornal Opção, edição 1916 de 25 a 31 de março de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Não há respostas, apenas encantamento. in: Jornal Opção, edição 1917 de 1 a 7 de abril de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016). 
_______ . Madame Bovary - O romance maior. in: Jornal Opção, edição 1918 de 8 a 14 de abril de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016). 
_______ . Truman Capote refilmado. in: Jornal Opção, edição 1919 de 15 a 21 de abril de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Amor pós-romântico. in: Jornal Opção, edição 1920 de 22 a 28 de abril de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016). 
_______ . Todo filme é sobre cinema. in: Jornal Opção, edição 1921 de 29 de abril a 5 de maio de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Oriente, a invenção rebelde. in: Jornal Opção, edição 1922 de 6 a 12 de maio de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016). 
_______ . Anatólia: exumação e autópsia de Clark Gable. in: Jornal Opção, edição 1923 de 13 a 19 de maio de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . A transgressão do autor desnuda os mitos. in: Jornal Opção, edição 1925 de 27 de maio a 2 de junho de 2012. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016).
_______ . John Ford e o renascimento de uma nação. in: Jornal Opção, edição 1926 de 3 a 9 de junho de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Estrelas e escritores. in: Jornal Opção, edição 1927 de 10 a 16 de junho de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . O olhar oculto. in: Jornal Opção, edição 1947 de 28 de 1929 de 24 a 30 de junho de 2012. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016).
Nei Duclós abril 2012 - foto: acervo do autor
_______ . Ambiguidade e denúncia. in: Jornal Opção, edição 1930 de 1 a 7 de julho de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Status e soberania em My Fair Lady. in: Jornal Opção, edição 1931 de 8 a 14 de julho de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . King Kong: a diferença domada. in: Jornal Opção, edição 1932 de 15 a 21 de julho de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Cinema na fronteira da história. in: Jornal Opção, edição 1933 de 22 a 28 de julho de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Sereias de dois mundos. in: Jornal Opção, edição 1934 de 29 de julho a 4 de agosto de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016). 
_______ . A Espanha de Javier Cercas. in: Jornal Opção, edição 1935 de 5 a 11 de agosto de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . As distorções de Luc Besson. in: Jornal Opção, edição 1936 de 12 a 18 de agosto de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . O boxeador Lobato de Urupês. in: Jornal Opção, edição 1937 de 19 a 25 de agosto de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016). 
_______ . Arqueologia no deserto. in: Jornal Opção, edição 1938 de 26 de agosto a 1º de setembro de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Especial Samuel Fuller. in: Revista Bula, 22.8.2012. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016).
_______ . Monteiro Lobato: alma de boxeador. in: Revista Bula, 28.8.2012. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016). 
_______ . A música marítima de Cecília Meireles. in: Jornal Opção, edição 1940 de 9 a 15 de setembro de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . O que fizemos de nossas vidas? Fomos ao cinema. in: Jornal Opção, edição 1941 de 16 a 22 de setembro de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016). 
_______ . Shosha, de Isaac Bashevis Singer. in: Revista Bula, 17.9.2012. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016)
_______ . O escritor em seu labirinto. in: Jornal Opção, edição 1942 de 23 a 29 de setembro de 2012. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016).
_______ . “Intocáveis”: “Pretty Woman” da era Facebook. in: Jornal Opção, edição 1943 de 30 de setembro a 6 de outubro de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Ver, o verbo do cinema. in: Revista Bula, 27.9.2012.  Disponível no link. (acessado em 30.1.2016). 
_______ . Chaplin, Ford e Keaton em três obras primas. in: Jornal Opção, edição 1944 de 7 a 13 de outubro de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Michelet: um poeta inventa a história. in: Jornal Opção, edição 1945 de 14 a 29 de outubro de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . A prisão das ideias na mente mediana. in: Jornal Opção, edição 1946 de 21 a 27 de outubro de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . O livro no avesso do abismo. in: Jornal Opção, edição 1947 de 28 de outubro a 3 de novembro de 2012. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016).
_______ . A Revolução Francesa numa visão libertina. in: Jornal Opção, edição 1948 de 4 a 10 de novembro de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Alain Resnais e o cinema da memória. in: Jornal Opção, edição 1949 de 11 a 17 de novembro de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . David Toscana, Francisco Coloane e Carlos Maria Dominguez: três paisagens literárias. in: Revista Bula, 2.12.2012. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016).
_______ . México, Uruguai, Chile: três paisagens literárias. in: Jornal Opção, edição 1950 de 18 a 24 de novembro de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . O pai ausente na escolha de Sophia. in: Jornal Opção, edição 1951 de 25 de novembro a 1º de dezembro de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Contos russos, nossos contemporâneos. in: Jornal Opção, edição 1952 de 2 a 8 de dezembro de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Borges e Neruda: o gênio além da ideologia. in: Jornal Opção, edição 1953 de 9 a 15 de dezembro de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016). 
_______ . Drummond, Quintana, Cabral: diversidade no cânone. in: Jornal Opção, edição 1954 de 16 a 22 de dezembro de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016). 
Nei Duclós - foto: (...)
_______ . Woody Allen, o escritor de filmes. in: Jornal Opção, edição 1955 de 23 de dezembro a 2 de janeiro de 2013. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Bruno Tolentino, o poeta absoluto. in: Jornal Opção, edição 1957 de 6 a 12 de janeiro de 2013. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016). 
_______ . O que pega em Lincoln. in: Jornal Opção, edição 1958 de 13 a 19 de janeiro de 2013. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Cadeia, o grande sertão de Graciliano. in: Jornal Opção, edição 1960 de 27 de janeiro a 2 de Fevereiro de 2013. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Cadeia, o grande sertão de Graciliano. in: Revista Bula, 18.2.2013. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016).
_______ . O épico e o lírico em “Os Miseráveis”. in: Jornal Opção, edição 1961 de 3 de janeiro a 9 de Fevereiro de 2013. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . O épico e o lírico em "Os miseráveis". in: Revista Bula. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016).
_______ . Armadilhas de um professor de vanguarda. in: Jornal Opção, edição 1962 de 10 a 16 de Fevereiro de 2013. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016). 
_______ . Literatura gaúcha no front. in: Jornal Opção, edição 1963 de 17 a 23 de fevereiro de 2013. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . À margem de 1930: literatura e memória. in: Jornal Opção, edição 1964 de 24 de fevereiro a 2 de março de 2013. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016).
_______ . Nabuco e a desfaçatez de Brás Cubas. in: Jornal Opção, edição 1965 de 3 a 9 de março de 2013. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016). 
_______ . Poesia, a linguagem de resistência. in: Jornal Opção, edição 1966 de 10 a 16 de março de 2013. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Cinema: o excesso cabeça. in: Jornal Opção, edição 1967 de 17 a 23 de março de 2013. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016). 
_______ . A dúvida em Bacon e Descartes. in: Jornal Opção, edição 1969 de 31 de março a 6 de abril de 2013. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016). 
_______ . Clint: inclusão na América mutante. in: Jornal Opção, edição 1970 de 7 a 13 de abril de 2013. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Invenção e perda do país em obras. in: Jornal Opção, edição 1973 de 28 de abril a 4 de maio de 2013. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Três romances exemplares. in: Jornal Opção, edição 1974 de 5 a 11 de maio de 2013. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Povo e música: o poder inventa o malandro. in: Jornal Opção, edição 1977 de 26 de maio a 1º de junho de 2013. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
Nei Duclós - foto (...)
_______ . A invenção da leitura. in: Jornal Opção, edição 1993 de 15 a 21 de setembro de 2013. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . A linhagem da influência. in: Jornal Opção, edição 1996 de 6 a 12 de outubro de 2013. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Pensar o Brasil: uma atividade em desuso?. in: Jornal Opção, edição 2000 de 3 a 9 de novembro de 2013. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . O eu e suas memórias. in: Jornal Opção, edição 2002 de 17 a 23 de novembro de 2013. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016). 
_______ . O que é Jornalismo Literário?. in: jornalismo literário blog, 29 de novembro de 2013. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016).
_______ . Mulher e juventude no cinema do irã. in: Jornal Opção, edição 2010 de 12 a 18 de janeiro de 2014. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . É preciso interferir no destino ou deixar que ele se cumpra?. in: Jornal Opção, edição 2061. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . A palavra que ninguém enterra (Tocaia na seca: as surpresas do novo romance de Moacir Japiassu). in: Literatura/Uma coisa e outra. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016).
:: Outros escritos do autor você pode encontrar no blog 
Outubro e no site Consciência.  

Entrevistas
VASCONCELLOS, Selmo. Nei Duclós (entrevista). in: Selmovasconcellos, 8 de abril de 2010. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016).


Se eu estiver chegando
   Cuidado comigo
Que eu trago uma força
   Indestrutível:
O que se dispersa no mundo
   Em mim se resume  
 

- Nei Duclós, em "Outubro". Porto Alegre RS: IEL; Nação, 1975.

Nei Duclós - foto: (...)

POEMAS ESCOLHIDOS DE NEI DUCLÓS



A mão e o medo
Dias de tensão, dias de erro
a confusão e o medo
trocando posição
e distribuindo senhas
de guerra e de prisão

Dias em que teu movimento
enfrenta a barra da surpresa de
um inimigo
que por princípio, vence
 
A confusão e o medo
trocando posição
e distribuindo prêmios
(balas de canhão,
sombras, dinheiro)  

- Nei Duclós, em "No meio da rua". Porto Alegre RS: L&PM Editora, 1979.

§

Abismo
 Nada prende o passageiro
e seu abismo de espelhos
onde reflete o destino
do tempo

Nada esconde o passageiro
e sua cabeça de estrelas
onde guarda bagagens
e vento

Nada espera o passageiro
no seu caminho de espanto
onde encontra a perdição
e o pranto

Nada perde o passageiro
com sua coragem sem bolso
onde enfrenta paredes
e fogo

Nada parte o passageiro
com sua arte de encontros
onde inaugura cidades
e sonho

- Nei Dúclos, em "No meio da rua". Porto Alegre RS: L&PM Editora, 1979.

§ 

Abraço
Quero te dar um abraço modesto
do tamanho do mundo
pequeno em relação ao universo
enorme para nossos passos

Quero te dar um abraço profundo
que surpreenda as almas
apesar da idade
e que a gente morra quando se aperte
 

- Nei Duclós, em "Outubro". Porto Alegre RS: IEL; Nação, 1975. 

§ 


Alcatraz
Coração ferido escorre o luar
agulha de granizo em teu olhar
pássaro de vidro em terramar
velas que descuidam de voar

Sangra o sentimento nos corais
guizos de barulho pelo chão
ao me convocar não tens perdão
vivo de improviso em Alcatraz

No cárcere vazio foge a solidão
algemada com voz de prisão
moras no horizonte além do sol

Mel do teu abraço em tanto sal
rendas de espumante na paixão
plumas de correntes, falta o ar

- Nei Duclós, em "Arraso - poemas de amor". (E-book). Florianópolis: Edições do Autor, 2012, p. 30. 

§ 

Amor em arte
O que seduz não é essa abordagem
é o ser em si, sem nenhum disfarce
no lugar de insistir na camuflagem
o dom de transformar amor em arte

Como se faz, se o mando é das feras
fica impossível romper a maquiagem
Amor não é conquista, mas entrega
me soprou aquela que mais quero

Amor é o armistício, não a guerra
o acordo que manobra as diferenças
teu riso frouxo quando o corpo acorda

qualquer truque joga o coração fora
melhor é desistir, a vida sabe a hora
e ficar atento à flor da tua espera
 
- Nei Duclós, em "Arraso - poemas de amor". (E-book). Florianópolis: Edições do Autor, 2012, p. 21.

§

Amor estranho
Eu sou um poeta estranho
Não fumo, não jogo
não tomo banho

A não ser que seja água
que você apanhe
A não ser que seja fumo
que você prepare
A não ser que seja carta
e você ganhe

Você é um amor estranho
Não come, não passeia
não reclama

A não ser que seja eu
quem compre a carne
A não ser que seja praia
e eu te ame
A não ser que seja dor
e eu me cale

- Nei Duclós, em "No mar, veremos". São Paulo:  Editora Globo, 2001.

§ 

Amor é morar na palavra
Branco de ator
discurso gago
Trêmula mão na sessão
das quatro

Amor é teto de tesão
Declaração tingida
pela chuva
Busca sob o lampião
no verniz mofado

Amor é mudar-se
para a curva da
estação
e cutucar o verbo
majestático

Amor é dizer calado
o que provoca dor
no coração da frase
Carta na sarjeta
resto de embalagem

- Nei Duclós, em "Partimos amanhã". Porto Alegre RS: IEL; CORAG, 2012.


§ 


Aos que passam
Te ofereço um poema
feito com energia
e cultivado no ventre
do amor que carrego
 
Te ofereço um poema
na tarde nervosa dos teus passos
molhado com a distância
que percorro diariamente
e com a vontade que eu tenho
de ser teu amigo

Me ofereço em palavras, companheiro
envolto no colar de desejos e buscas
que aperta nossa garganta
e nos faz abrir a boca
com uma força capaz
de derrubar as paredes
que nos separam  

- Nei Duclós, em "Outubro". Porto Alegre RS: IEL; Nação, 1975. 

§  


Apelação
Alguém precisa defender a liberdade
antes de culpar o guarda 

Alguém precisa ajudar a liberdade
antes de gritar covarde

Alguém precisa escolher a liberdade
antes que seja tarde 
 
- Nei Duclós, em "No meio da rua". Porto Alegre RS: L&PM Editora, 1979.

§ 

Angústia 
Angústia
como deixá-la na jaula
como pedir ajuda
quando a beleza falha?
 
angústia
como escapar de suas garras?

esperar um sinal, um assalto
ou convocá-lo no meio do barro?
pedir que o nada te fale
ou torturá-lo?

ou melhor seria calar-me
com esta faca no espaço
entre minha dor e a linguagem? 

- Nei Duclós, em "No meio da rua". Porto Alegre RS: L&PM Editora, 1979.

§

Arraso
Exclusiva como ao sol se fina
o último rebento da açucena
única solidão que te combina
para o mito de ser apenas Lua

Rima de amor, pobre criatura
abandonada na imóvel grua
numa construção que virou ruína
em guerra decidida no subúrbio

É com esse nó que falo ao Tempo
sabendo que serei jogado fora
que importa, pois terei teu seio

entre as mãos que agora dormem
Despertarei contigo numa cama
em lençóis de flor e cheiro forte

- Nei Duclós, em "Arraso - poemas de amor". (E-book). Florianópolis: Edições do Autor, 2012, p. 9.


§

Barreira
O poeta sempre escapa
pela reticência
quem quiser pegá-lo
ficará, no máximo
com o casaco

O poeta é o animal
que cruza todas as fronteiras
enquanto pessoas conservam
inúteis soldados
que pedem documentos

- Nei Duclós, em "No mar, veremos". São Paulo: Editora Globo, 2001.

§
Nei Duclós - foto: acervo do autor

Biografia
vivo no mundo da Lua
esta é minha biografia
em cada fase flutua
peça de ourivesaria

um colar de prata nua
um crescente de ametista
corrente fosca minguante
estojo no plenilúnio

guardo no lado oculto
praias inconfidentes
sereia presa em tarrafa
mapas longe do desenho

subo com os pés no monte
como gás neon no vento
pelo luar eu transponho
obituários do tempo

calo quando perguntam
onde meu olhar se planta
brilha a testa do ciclope
voa a louca na varanda
 

- Nei Duclós, em "Arraso, poemas de amor". (e-book), Edições do autor, 2012.

  
§

Braço de mar
O mar é sempre maior
e o luar lhe faz a corte
Não há medida do homem
entra a praia e o horizonte

O mar já veio antes
da onda inventar o tempo

É ele quem trai o porto
e acende o pavio da bomba
que puxa a noite do poço
e corta os pulsos da sombra

E mesmo no sol, o mar transa
seu jogo de conveniências
suas algas postas de molho
sua escultura sem cabeça

O mar é sempre o começo
 

- Nei Duclós, em "No mar, veremos". São Paulo: Editora Globo, 2001.

§

Cais
O passageiro não perde a vez de partir
e parte
pois é tarde
Este cais apodreceu as cordas
que soltam a sua carne

Os bares silenciam
a memória é uma cadeira que ringe
como um cofre de vime
(o que passou não é sonho
é desafio)

De pé, a mão na vista
ele toca o horizonte com a saliva
Sua boca guarda um aviso
(o tempo é um susto, uma víbora) 

- Nei Dúclos, em "No meio da rua". Porto Alegre RS: L&PM Editora, 1979.

§

Carta ao amigo
Embora não acredites
estou tão habitado
que pareço um mar

Não só pelos peixes que possuo
das mais variadas espécies
não só pelas aves que me sobrevoam

Mas também pelas ilhas de corais
pelos arrecifes, pelos icebergs que em silêncio
navegam seus volumes submersos

E principalmente
pela quantidade de rios
que deságuam em mim

Estás longe
e lembrei teus olhos
cheios de medo e desconfiança

Hoje está chovendo
Quando chover
sei que vais sentar um pouco
reler teus manuscritos do tempo do colégio
e tentar fazer coisa nova
ou pior, sonhar com eles
até que um vazio incômodo
te derrube por terra

Quando chover, em vez de chorar
lembra de mim
que não cedi um palmo

- Nei Duclós, em "Outubro". Porto Alegre RS: IEL; Nação, 1975.

§

Coleira
Quem somos nós que viemos de antigamente
E levamos o tempo
Como um cão na coleira
A passear pelo concreto
Das infindáveis avenidas? 

- Nei Duclós, em "No meio da rua". Porto Alegre RS: L&PM Editora, 1979.

§

Desvio
Cada palavra conta e não adia
a percepção que temos do poema