19 de fevereiro de 2019

AOS 70, UM EBOOK DE TODAS AS IDADES

Nei Duclós

Este ebook AOS 70 é uma celebração dos meus 70 anos, completados em outubro de 2018. Reúne poemas inéditos em livro, mas divulgados nas redes sociais, escritos e publicados desde a metade de novembro de 2018 até a metade de fevereiro de 2019. É mais um lançamento que encaro como um exercício de edição, um volume que serve como modelo para o futuro impresso. Serve para ordenar a produção poética diária, reuni-la em feixes de poemas identificáveis sobre temas diversos. Minha poesia percorre ultimamente caminhos inéditos para mim, pois me afasto dos hábitos e procura pesquisar as muitas possibilidades da palavra.

De quebra, coloco um capítulo, MELODIAS, que mostra os poemas que surgiram junto com música. É para divulgar esse trabalho também inédito e colocar na roda esses esboços de canções, que carrego há décadas e não posso mais guardar só para mim.

NEI DUCLÓS

AOS 70
Poemas
Ebook
Edição em PDF
Nei Duclós
85 pgs, R$ 20
2019


NOVA ESGRIMA

Continuo moço
como na primeira vez dei a palavra
num jogo de braço
com a idade ainda sem forças
para manter a promessa de que sobreviver
poderia ser fácil

Nunca foi, flor da corda toda
É temporal o andar fora da margem
Aprender que ninguém ensina
a ser, no duelo do enigma
entre a esgrima do corpo
e o ar que se respira

Nei Duclós, um dos poemas do livro)

18 de fevereiro de 2019

NO CANTO


Nei Duclós

Num canto da casa, se empilham
os livros e outros utensilios
Bacia, estante, bicicleta
Papel, papelão e badulaques
Falta um violão, mas eu não canto
A não ser que me peças por acaso

Abro então a garganta
Expulsando os insetos e os pets
Refugiam-se na varanda
Onde não há acústica suficiente

És imprudente
Quando começo um samba não acabo


ARTISTA


Nei Duclós

Sou artista de rua
Passo chapéu entre os gigantes
Em troca de favores: meus poemas
Escritos a carvão pelo subúrbio

Levam na mente
O que criei soprado por um anjo
Depois se perde
O coração é ninho sem aprumo

Não faço malabarismo
Nem recito a palavra, força bruta
Reservo o silêncio feito espuma
No rabisco encardido de uma gruta

Lá durmo
Acordo quando o circo
Devolve à cidade a trapezista


17 de fevereiro de 2019

POR ACASO


Nei Duclós

Mesmo que haja outra vida
Não será esta
No universo descontínuo

Será ruptura
Mesmo que alma permaneça a mesma

Será outro espírito
Reencarnado no que não somos

Então não há outra vida
Só esta
Como diz o materialismo

A não ser que eu lembre
Por puro acaso
Teus olhos aflitos




ANEL PERDIDO


Nei Duclós

Leio o que fiz, mas nunca lembro
o instante que o poema gera
fica a palavra, muro sob a hera
desprovida de sol, flor jogada fora

Por mais amor que a criação costure
o fio do abandono não se recupera
imagem fosca, rescaldo sem o brilho
tristeza surda a cultivar a espera

A não ser que envolvas com abraços
o espanto que me causou a escritura
só assim terei a glória e a fortuna

Nada compõe o verso sem leitura
anel perdido em temporais de areia
que aguarda teu olhar, diamante puro


NOVA ESGRIMA


Nei Duclós

Continuo moço
como na primeira vez dei a palavra
num jogo de braço
com a idade ainda sem forças
para manter a promessa de que sobreviver
poderia ser fácil

Nunca foi, flor da corda toda
É temporal o andar fora da margem
Aprender que ninguém ensina
a ser, no duelo do enigma
entre a esgrima do corpo
e o ar que se respira