3 de maio de 2020

PAREDES DE BARRO

Nei Duclós


Confino o momento em paredes de barro
Cozido em fornos de granito e aço
Sinto que é dia, vejo pela janela
Lá fora a manhã, aqui dentro o cansaço

Espero sair sem ter mais cuidados
Os bancos da praça, as praias lotadas
Ficar de castigo quando há tanta vida
Qual foi o crime, guardião dos pecados?

Não finjo inocência, sou fruto do tempo
Mas há uma parcela de humano convívio
Que me dá o direito de ser perdoado

Desenho a paisagem que me absorve
É o poema, esse acervo da sorte
Sossego de outono sem a primavera



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