1 de janeiro de 2016

SOM DE VIOLINO



Nei Duclós

A poesia que guardas e não compartilhas
porque é áspero o dia, pele de ranhuras
preferes distribuir a palavra já dita
brasa que se extingue na vocação de cinza

Preferes o manto sobre a terra ainda úmida
tua alma capaz de manter-se convicta
do que expor o tesouro, o sonho precioso
incapaz de viver se o descobrem no ninho

Não são nem colheita de ouro ou ametistas
pois te reservas uma vida sem luxos
é apenas o sumo de um pomar maduro

que te mantém à tona nesse plano rígido
é teu pão, teu jantar e um som de violino
que pegas firme com tuas mãos sem prestígio


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