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26 de fevereiro de 2026
PAREDES VAZIAS
Nei Duclós
Costumo ocultar minhas vitórias
Um diploma, aquela medalha, registros de eventos e pessoas notórias
que prestaram atenção em mim algumas vezes
Não é vergonha, é um hábito
Prefiro sempre eliminar qualquer sinal de vantagens
Para em cada momento começar do zero
Como veterano que vira anônimo recruta
Nas guerras onde sobrevivo e às vezes me destaco
Por isso minha casa não tem molduras na parede
Nem mimos trazidos do Oriente
ou fotos onde me encontro com famosos
Assim como as paredes minha casa agora está vazia
A mulher que reparto tanta luta
Está em outro lugar onde se recupera
Eu faço comida e cuido da roupa
E durmo sem fazer balanço da vida
Apenas me viro para o outro lado
No tempo escuro
Nei Duclós
12 de fevereiro de 2026
RAINHA
Nei Duclós
Chamo de rainha não por vício
De sedutor barato a distribuir afetos
A inventar hierarquias no oportunismo
E querer um pedaço do que tens por mérito
Chamo de rainha, mas por contingência
Não há como escapar do reconhecimento
Destaque natural de uma postura rara
Imperas com teu porte e biografia
Minha paixão precoce quando ocupaste o trono
E eu ficava ao longe e só por teimosia
Fantasiava o namoro que nunca teve chance
Mas o amor é real, doce bailarina
Não perdi o toque do sentimento
Já foi tormento hoje é epifania
Mulher que soube me ver por dentro
Pois se estive distante você chegou mais perto
E disse poeta te amo sem que saibas
Uma rainha só existe se alguém persiste
Na mais nobre das artes, a poesia
Nei Duclós
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