23 de maio de 2026

LA REINA

Nei Duclós Me quieres? me preguntas Te quiero como la flor quiere el rocio Para mojar sus penas Te quiero en la casa Porque eres mi reina Te quiero en el campo en la agua Eres el vento en mi desierto Te quiero apenas Como un destino una ley Soy el caballero que mar adentro de tu cuerpo Llega en tu alma cargado de amor Nei Duclós

17 de maio de 2026

MANHÃZINHA

Nei Duclós Sonhei que já era de manhã Mas não havia pássaros O Tempo ainda mantinha o sol sob custódia Era a hora da espera Adormeci e acordei tarde A família dava de comer ao dia Fora da festa apressei o passo Mas só cheguei quando todos dormiam a sesta Sonhei então de novo À tardinha, na hora mansa Quando o céu, pintor Encantava a memória dos frutos da infância O Tempo mora dentro de uma concha de veludo Encontrada numa praia distante Nei Duclós

CORAÇÃO

Nei Duclós Não se deixe abater pelo conflito Pela paz que prometem mas não chega Pelo sonho jogado para a rua Pelo corpo ferido sem ajuda Não se conforme com o destino De perder-se antes do desfecho Uma vida cabe fora de uma gruta E não há razão de culpar a chuva Ganhe força no rumo da tormenta Navegue mesmo estando à deriva Teu barco resiste a toda prova És gigante, coração de seda pura Nei Duclós

11 de maio de 2026

ILHA

Nei Duclós Fico na superfície Navego a dor em rodízio Se mergulhar até o fundo Serei refém de um martirio Vivo sem compromisso De mexer onde me escondo Levo bagagem de vento Nas costas de alguém inútil Sonho a flor que nunca chega Das tuas mãos sempre íntimas Fujo do que me aprontas Levar meu corpo inseguro Nada direi, como sempre Minha alma é ilha deserta Meu corpo luta no escuro Nei Duclós

8 de maio de 2026

NOBREZA

Nei Duclós A nobreza legítima É ter alguém que te ame É quando assumes o comando Não há trono que te ordene Nem povo que te cerque Tuas legiões obedecem apenas ao sentimento Partes para a conquista Como um soldado romano Nem mesmo o amor Te coloca de joelhos És o nobre que não teme o exílio Nem ocupa o palácio de ouro Ou ostenta medalhas ou títulos Calças sandálias de couro No alto da montanha Nei Duclós

4 de maio de 2026

OFÍCIO

Nei Duclós É fácil exercer o meu ofício Uso a palavra impregnada de sentidos Alguns ocultos revelados pelas sílabas Que do mesmo som alegre compartilham Uma letra repetida faz um verso Mas o truque se esconde se recitam Acham um assombro o mago trapezista Que se atira no caos com segurança O salto mortal é a cara de paisagem A mão no queixo e as memórias Qualquer bobagem vira uma história E eis o fato, a poesia Nei Duclós

1 de maio de 2026

OS ANJOS

Nei Duclós Poesia não serve para nada O poeta morre e a vida continua A obra que não era lida Anoitece anônima nas estantes Vale para o presente Com o poeta atuante Iludido de tanta literatura Depois passa Como os bandos de pássaros em fuga pela estações Só o prazer da criação vale a pena O resto migra para o esquecimento Às vezes sobrevive um verso Que não é de ninguém Pertence aos anjos da inspiração e do romance Nei Duclós