Nei Duclós
Perdi a memória. Fiquei com o nome
de origem bizarra e
som estranho
se me chamam é outro que se mostra
eu mesmo fico no posto do segredo
de lá manobro cenas que me envolvem
sou persona que o espelho não devolve
aguardo a espaçonave ou uma ordem
de algo que a tudo me transcende
Dizem que eu finjo, mestre do disfarce
no carnaval que invento sou a máscara
grudo na pele o mistério sem milagre
Só lembro da estrutura do soneto
que alguém me passou quando era moço
e repito como se fosse um mantra
RETORNO – Imagem desta edição: obra de William Watershouse.